Kanban pessoal

“Kanban pessoal”. O nome, claro, faz referência ao conceito japonês que o inspirou - um processo de fabricação just-in-time desenvolvido na Toyota no final da década de 1940. James Benson, um ex-planejador urbano baseado em Seatle, adaptou o sistema para reduzir a sobrecarga emocional inerente às nossas tentativas de fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Ou, como define um artigo no site de notícias Quartz, “um sistema de gerenciamento de tempo que explode o mito da multitarefa”.

“Multitarefa é provavelmente a habilidade mais superestimada na vida moderna. Drena seu cérebro de glicose oxigenada que poderia ser usada para prestar atenção mais focada, torna difícil para uma pessoa alternar entre tarefas e geralmente é uma ilusão de qualquer maneira”, escreve Lila MacLellan, repórter do Quartz. “Apenas 3% da população é ‘supertasker’, de acordo com um estudo da Universidade de Ohio. O resto de nós apenas finge ser.”

Jamens Benson, autor de “Personal Kanban: Mapping work-navigating life”, disse ao Quartz que o kanban industrial era uma maneira para a Toyota evitar a superprodução. Já o kanban pessoal trabalha com dois princípios: visualize seu trabalho e limite seu número total de trabalhos em andamento. Eis o método:

Narciso, o patriarca empresário

Já escrevi sobre líderes psicopatas e vários outros tipos de chefes tóxicos ou simplesmente sem noção, mas não canso de me surpreender com a amplitude dos estragos que administradores com neuroses não tratadas são capazes de provocar. 

A mais recente aparece no livro Sucessão ou Morte da Empresa Familiar?, do consultor Nelson Cury Filho, que chega às livrarias no dia 16 de agosto. O drama aqui é o narcisismo de certos fundadores em empresas familiares.

Cury é especialista em negócios geridos por famílias e passou dois anos estudando esse perfil de empresário. Em parte, para compreender melhor porque, no Brasil, 70% das empresas familiares não chegam à segunda geração. Sucessão ou Morte  é uma ampliação de sua dissertação de mestrado no Insead, aprovada em 2016. Sustenta que o maior risco a ser enfrentado por uma empresa familiar durante um processo de transição é, possivelmente, a forma como pensa e age o seu fundador.

Modelos de negócio que resolvem problemas sociais

Nesta terça-feira, a Din4mo, uma startup paulistana que tem como objetivo apoiar empreendedores para desenvolvimento de modelos de negócio que resolvem problemas sociais, apresentou a seus stakeholders um balanço de sua jornada de três anos e meio pela redução da desigualdade. Uma jornada muito conectada com uma agenda global criada em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A Din4mo entende que negócios podem reduzir a desigualdade sob certas condições:

1) quando trabalham para reduzir a vulnerabilidade das comunidades;

2) quando agem para aumentar ativos produtivos nas comunidades;

3) quando servem para reduzir o enorme custo de transação para famílias de baixa renda.

A Din4mo entende também que os negócios - em especial os negócios de impacto, ou seja, aqueles que são criados para resolver um problema social - podem criar novos mercados. Para isso, precisam inovar, fundamentalmente, em modelos de negócio. "É uma outra lógica de fazer negócios, uma outra de lógica de gerar fontes de receita, uma outra lógica de criação de valor, uma outra lógica de impacto", afirma Marcel Fukayama, um dos co-fundadores da empresa. Sendo bem-sucedidos, esses negócios acabam tendo outro impacto importante, no fortalecimento do ecossistema - foco da atenção da Din4mo.

Empresas B e a nova economia

"No final de 2014, quando a Natura apresentou a Visão Natura 2050 e celebrou sua certificação como Empresa B, Guilherme [Leal, um dos sócios-controladores] disse que a Natura havia escolhido participar da recuperação do planeta", lembrou Marcel Fukayama, um dos principais responsáveis pela vinda do movimento das Empresas B para o Brasil, no evento “Diálogos sobre a nova economia”, promovido pela Natura e pelo Sistema B. "Isso é muito poderoso, porque redefine o papel das empresas na sociedade", completou Marcel.

Empresas B são companhias que usam os negócios que fazem para provocar impactos sociais e/ou ambientais positivos. Para ter a certificação concedida no Brasil por uma entidade chamada Sistema B, passam por um processo complexo de análise de todos os aspectos de suas operações. "São empresas que saem do campo das intenções para firmar compromissos", definiu Marcel. "São empresas que estão mostrando que é possível fazer mais, é possível fazer melhor, mas sobretudo é possível fazer diferente. Nosso papel como Sistema B é facilitar o crescimento e o fortalecimento desta comunidade global." Existem hoje 2.800 Empresas B em mais de 50 países. Só na América Latina, são mais de 300. No Brasil, há 85 Empresas B certificadas.

Outro campo de atuação do Sistema B é batalhar pela criação de legislações específicas para empresas que têm um propósito mais definido, mais transparência e mais responsabilidade - nos moldes do que já existe há alguns anos nos Estados Unidos, para as Benefit Corporations. A Itália, no ano passado, tornou-se o primeiro país a aprovar esse tipo de legislação, depois dos Estados Unidos. Hoje mais de 15 países trabalham para implantar leis desse tipo. No Brasil, o Sistema B e o Grupo Jurídico B trabalham num projeto de lei que cria o que chamam de Sociedade de Benefício. É uma forma de apoio ao empresário que quer institucionalizar essa alternativa de criar uma empresa sob uma nova forma de fazer negócios e causar impacto positivo.

A Natura foi a primeira empresa de capital aberto a se tornar uma Empresa B certificada. Poucos meses depois, uma Empresa B de Nova York fez o caminho oposto, tornando-se a primeira do gênero a abrir capital na Nasdaq. Em fevereiro deste ano, a Laureate, que se estruturou nos Estados Unidos como uma Benefit Corporation, também abriu capital na Nasdaq. É o que Marcel chama de caminhada das Empresas B rumo ao mainstream. 

 

Resgate sua vida da tecnologia e foque no que importa

Semanas atrás o amigo e ex-colega Guilherme Felitti me contou que ouviu no Vox um podcast com um pesquisador chamado Cal Newport, que explora o conceito de "deep work". Por incrível que pareça, não conhecia o Newport - mas agora já estou lendo o livro dele chamado justamente "Deep Work" e achando muito interessante. No podcast em questão, Newport discute como resgatar a sua vida da tecnologia e focar no que importa, recuperando sua "aptidão cognitiva" e assumindo o controle de seu tempo. É uma conversa com o titular do podcast, Ezra Klein, postada em 21 de abril.

Klein começa contando que Deep Work mudou sua vida "pela mais literal das razões". Ou seja, mudou o modo como ele vive a sua vida. "Particularmente, me levou a parar de agendar reuniões matutinas e a preservar esse tempo para um trabalho mais sustentado e criativo", diz ele. Exatamente uma das sugestões apresentadas em meu livro Rotinas Criativas, no capítulo sobre "manhãs criativas". Newport, porém, tem um interesse mais agudo em como o ambiente digital que habitamos nos treina para desperdiçar concentração e estimular a distração "de maneiras que são ruins para nossas mentes, ruins para o nosso trabalho e, finalmente, ruins para o mundo".