Uma empresa e sua constituição

Saiu no final de junho esta pesquisa sobre os "Top Attractors" do LinkedIn. A amiga Camila Hessel chamou minha atenção para a primeira colocada do Reino Unido, que diz que seu propósito é a felicidade de todos os seus membros.

Rara empresa com uma constituição escrita, a John Lewis Partnership trata cada membro da equipe (chamado de sócio) como coproprietário. Os lucros da companhia são compartilhados entre os sócios na forma de um bônus anual.

Eles também recebem uma ampla gama de benefícios e regalias: de programas de desenvolvimento dos funcionários e iniciativas de caridade até atividades como participação num coral ou na equipe de caiaque da companhia. Mas longe de ser uma ONG, a John Lewis é a maior varejista omnichannel do Reino Unido, com 46 lojas e vendas online robustas.

Sua constituição define os seus princípios, seu sistema de governança e suas regras. John Spedan Lewis, seu fundador, abriu mão dos seus direitos de propriedade sobre a empresa para permitir que as futuras gerações de trabalhadores levassem adiante os seu "experimento de democracia industrial".

A constituição estabelece que a felicidade de seus membros é o objetivo último da partnership, reconhecendo que ela depende de um emprego satisfatório em um negócio bem sucedido. O mesmo documento define mecanismos para assegurar a melhor gestão da sociedade, com freios e contrapesos a garantir prestação de contas, transparência e honestidade.

Uma pesquisa de 2014 na partnership encontrou uma correlação positiva entre a felicidade dos funcionários e a satisfação do cliente. 

Solidão no Vale do Silício

Samir Goel, um empreendedor, palestrante e escritor baseado em São Francisco, escreveu um artigo interessante, no Quartz, sobre a solidão no Vale do Silício. Diz ele: "A febre de construção de novos espaços de co-working é apenas uma manifestação da solidão que os empreendedores enfrentam. Muitos no setor aceitaram a realidade de seus estilos de vida e estão procurando almas gêmeas - pessoas que irão entender e lidar bem com as suas prioridades".

Espaços de coworking, provoca ele, são um modo de estar com o tipo de gente que não se desaponta quando um jantar é cancelado pela quinta vez consecutiva.  

 

Inteligência artificial; braços humanos

O seu "chatbot" pessoal é, na verdade, um ser humano. Trabalhadores com baixos salários estão, quase secretamente, potencializando serviços populares do Facebook e de outras empresas. A "denúncia" foi feita pela Bloomberg, em uma reportagem que revela que atrás da inteligência artificial de assistentes pessoais e concierges há pessoas reais, dedicadas à leitura de e-mails e a encomendar comida em restaurantes.

A matéria é "velha", de 18 de abril, mas não perde nada se lida quase três meses depois. Ela apresenta gente de carne e osso que faz parte do trabalho dos assistentes pessoais da era digital. Se o tema te interessa, o link está aqui.

O estresse como desafio - e não como ameaça

Você pode treinar seu cérebro para lidar com o estresse. Existem técnicas baseadas em neurociência que alteram a química do cérebro "tanto quanto um antidepressivo", de acordo com o especialista Ian Robertson, um neurocientista cognitivo do Trinity College, em Dublin, e autor do novo livro "O Teste de Estresse: Como a Pressão Pode Tornar Você Mais Forte e Mais Afiado", em livre tradução. Sua tese é de que embora muito estresse possa ser debilitante quantidades moderadas são positivas para a mente.

Em entrevista ao site de notícias Quartz, Robertson explica que o estresse leva o cérebro a secretar uma substância química que se chama noradrelanina, a qual, essencialmente, ajuda as diferentes áreas do cérebro a se comunicar sem dificuldades e também a fazer novas conexões neurais. Nem todo mundo, porém, é capaz de lidar bem com o estresse e aproveitar o seu potencial produtivo. Daí a importância de treinar o cérebro (desde cedo) para se dar bem em situações estressantes.

Admirável Mundo Novo

O processo Bokanovsky


"Um ovo, um embrião, um adulto - é o normal. Mas um ovo bokanovskizado tem a propriedade de germinar, proliferar, dividir-se: de oito a noventa e seis germes, e cada um desses se tornará um embrião perfeitamente formado, e cada embrião, um adulto completo. Assim se consegue fazer crescer noventa e seis seres humanos em lugar de um só, como no passado. Progresso."

No futuro distópico de Admirável Mundo Novo, a reprodução "vivípara" (aquela na qual o embrião se desenvolve dentro do útero materno) caiu em desuso, em um mundo marcado por grande volume de clones, necessários para o trabalho.

Com a ideia de paternidade banida, seres humanos têm rompidos seus vínculos com os progenitores.

"O processo Bokanovsky é um dos principais instrumentos da estabilidade social! (...) Homens e mulheres padronizados, em grupos uniformes. Todo o pessoal de uma pequena usina constituído pelos produtos de um único ovo bokanovskizado. Noventa e seis gêmeos idênticos fazendo funcionar noventa e seis máquinas idênticas!"

O que isso teria a ver com a discussão sobre felicidade no trabalho?