Autoajuda no trabalho do Egito Antigo (ao presente)

Caitlin Hu, editora assistente do site Quartz, publicou uma curiosa matéria sobre as estratégias (não ria...) para o ambiente de trabalho do Egito Antigo. "Paciência é uma virtude. Não amole seu colega sobre o peso dele. Tente não irritar seu chefe" são algumas das máximas reveladas por uma nova tradução de antigos hieróglifos. Ela sugere que as regras de comportamento humano mudaram pouco em 4 mil anos - e a sabedoria dos tempos dos faraós ainda soa irônica e perspicaz nos dias de hoje.

A descoberta consta do recém-lançado Escritos do Egito Antigo, antologia de papiros milenares, cartas e esculturas de pedra selecionados e traduzidos para o inglês contemporâneo pelo egiptólogo Toby Wilkinson da Universidade de Cambridge. "Este livro oferece uma amostra do vasto corpo da literatura egípcia antiga", nota Caitlin. Um de seus pontos altos, segundo ela, é uma série de máximas mordazes atribuídas a um vizir faraônico de 110 anos chamado Ptahhotep por volta de 1850 A/C.

"Os conselhos de Ptahhotep sobre como lidar com superiores, pares e subalternos argumentativos são tão aplicáveis hoje que é fácil esquecer que o texto tem milhares de anos de idade", afirma Caitlin. 

"O livre mercado não se importa se você vive ou morre."

"O livre mercado não se importa se você vive ou morre." Texto forte postado em Civic Skunk Works por Paul Constant, escritor político e cofundador do Seattle Review of Books. Começa com uma matéria da Associated Press sobre o setor de bronzeamento artificial - "tão terrível que você apenas tem de olhar para ela por um segundo, de queixo caído." Um trecho reproduzido conta que donos de empresas de todo o país [os Estados Unidos, no caso] dizem que um imposto pouco notado de 10% sobre essa atividade, inserido na reforma da saúde implementada pelo presidente Obama, paralisou tal indústria, forçando o fechamento de cerca de 10.000 dos mais de 18.000 salões do gênero nos EUA. Constant acusa a AP de fazer o que nós jornalistas chamamos de "por o lead o pé". Só no quinto parágrafo do texto surge a informação de que a American Cancer Society diz que aqueles que usam camas de bronzeamento antes dos 35 anos aumentam o risco de melanoma, o mais mortal tipo de câncer de pele, em 59%.

Constant cita também o caso do EpiPen, um antialérgico injetável para emergências de vida ou morte cujo preço por unidade saltou de US$ 57 em 2007 para mais de US$ 600 hoje. O medicamento tornou-se um negócio de US$ 1 bilhão por ano para sua fabricante, a Mylan. Ben Popken, da NBC, relata que, nos últimos oito anos, a CEI da Mylan deu-se um aumento de US$ 2.453.456 para US$ 18.931.068 - um reajuste de 671%!. "A história do EpiPen é fascinante porque desmascara um par de alegações conservadoras de livre mercado", escreve Constant. "A começar pela afirmação de que a mão invisível do mercado livre é a ferramenta mais eficiente para estabelecer preços e distribuir inovações."

Seu chefe deve avisar que você será demitido?

A Harvard Biz Review tuitou uma questão intrigante: seu chefe deve(ria) dizer que você está prestes a ser despedido? A resposta está num artigo sobre tomada de decisões da revista Fortune, assinado por Joseph Badaracco, professor de ética empresarial da Harvard Business School. O artigo é excepcional, muito longe da bobajada cheia de jargão e clichês que assola esse gênero de literatura. A rigor, a resposta não importa tanto como as dicas sobre como melhor chegar a soluções para dilemas complexos.

Tanto é assim que, no final... bom, acho que, se o tema te interessa (e você lê inglês), é melhor dar uma olhada lá. Não vou estragar a surpresa.

De pijama; sem equilíbrio

Provocação divertida do Quartz: "Millenials, parem de trabalhar de casa o tempo todo".

"A joia da coroa do equilíbrio trabalho-vida contemporâneo é a capacidade de fazer o seu trabalho em casa, mas será que estamos fazendo a coisa certa?", escreve Meredith Bennett-Smith, subeditora de Ideias do site.

"Além de trabalhar de pijama, jornadas flexíveis oferecem benefícios claros: as empresas que incentivam arranjos remotos têm visto o aumento da produtividade e a diminuição de custos gerais do escritório, para não falar dos inúmeros benefícios que [esses arranjos] representam para pais que trabalham", nota Meredith. "Mas há uma grande diferença entre desfrutar de horário flexível e trabalhar em casa o tempo todo."

O Slack e aplicativos de mensagens semelhantes são eficientes, mas há momentos em que uma conversa baseada em texto simplesmente não resolve. "Muitos dos meus momentos mais produtivos têm sido produto de uma conversa espontânea cara a cara", nota Meredith. A ciência comportamental nos diz que os seres humanos dão mais significado à linguagem corporal e ao tom de voz do que ao texto, tornando falhas de comunicação por aplicativos de mensagem ou e-mail comuns. Mas talvez o efeito colateral mais preocupante do home office se dê justamente sobre o equilíbrio entre "vida e trabalho", que Meredith chama de "a baleia branca do profissional do século 21". Para ela, a mesma tecnologia que torna o trabalho acessível apagou as fronteiras entre o trabalho e a vida - se é que faz mesmo tratar dessa questão nestes termos.

Trabalhar de casa em bases consistentes significa que sua casa é literalmente seu escritório - mas muita gente está disposta a pagar esse preço. Quando a CEO do Yahoo, Marissa Mayer, proibiu o teletrabalho em 2013, a internet explodiu, nas palavras de Meredith. Muitos criticaram Marissa - ela mesmo uma mãe - por criar uma penalidade para os pais. "Três anos mais tarde, o debate está longe de terminar, mas a resposta pode vir a ser simplesmente moderação", afirma Meredith.

Éramos infelizes e não sabíamos

Quinze ou vinte anos atrás, a expressão “Felicidade S.A.” e a discussão que ela propõe sobre felicidade no trabalho provavelmente não fariam muito sentido. Nós éramos infelizes e não sabíamos. Foi só na última década que a ideia de que o trabalho pode e deve ser um ambiente de autodesenvolvimento, uma fonte de prazer, um espaço para descoberta de um propósito de vida e para exercício desse propósito deixou de ser quase que uma utopia e virou até propaganda banco - com bordões do tipo “Isso muda o mundo”.

Os americanos dizem "ignorance is bliss" e, neste sentido, acho que eles têm razão. Talvez nós vivêssemos melhor quando não sabíamos que éramos infelizes. A percepção de que merecemos ser felizes no trabalho, de que deveríamos dedicar a nossa vida profissional a uma causa acabou criando no profissional contemporâneo um efeito colateral que chamo de "ansiedade hedônica" – ou seja, medo de não ser feliz, de não encontrar (ou não poder exercitar) um propósito no trabalho.

Qual seria um ansiolítico corporativo para a tal ansiedade hedônica? Se tivesse de resumir minha resposta em duas palavras, eu escolheria "pertencimento" e "propósito". Pertencimento é o desejo que todos nós temos de fazer parte de alguma coisa que seja maior do que nós mesmos. É o prazer que a gente sente quanto faz parte de uma equipe e, nessa equipe, todo mundo rema numa mesma direção. Propósito é o anseio que nós temos de que essa direção seja virtuosa, de que o nosso esforço tenha um impacto positivo para o público que atendemos, para as comunidades onde atuamos, para a sociedade de maneira geral.

Quem diz isso de uma forma muito interessante é o professor Jonathan Haidt, um dos principais pesquisadores da psicologia positiva. Ele escreveu: “Muitos de nós precisamos fazer parte de uma colmeia, de alguma maneira. De preferência, de uma colmeia que tenha um propósito claramente nobre”.