Europa: salários que o trabalho não cobre

A edição de 2012 do ranking anual de competitividade do Fórum Econômico Mundial, divulgado nesta quarta-feira, joga luz sobre um fator pouco mencionado nas explicações para a prolongada crise na Europa: o abismo entre o Norte e o Sul do continente em termos de capacidade de competir internacionalmente.

De um total de 144 nações avaliadas, a União Europeia é capaz de aparecer, ao mesmo tempo, em terceiro lugar (com a Finlândia) e em 96º (com a Grécia).

No ranking deste ano, a Suíça, que não faz parte da União Europeia, está em primeiro lugar, com Cingapura em segundo. Os Estados Unidos caíram duas posições em relação ao ano passado e ocupam a sétima colocação. A China, em 29º lugar, é a mais competitiva entre as grandes economias emergentes.

O Brasil aparece apenas na 48ª posição, mantendo porém a trajetória ascendente. O país estava no 58º posto em 2010 e já havia pulado para 53º no ano passado.

Os outros Brics vão mal. A Índia caiu três posições, para 59º lugar. A África do Sul baixou de 50º para 52º, e a Rússia perdeu mais um lugar na lista, ocupando agora a 67ª colocação.

Mas voltemos à Europa. "O relatório não pinta um retrato desesperançado para os europeus, mas sugere que a alta competitividade está fortemente confinada ao Norte e ao Oeste do continente", afirma o New York Times, em reportagem sobre o ranking.

"A falta de competitividade de vários de seus membros está entre as causas primárias das atuais dificuldades na Zona do Euro", avalia o Fórum Econômico Mundial. "Uma característica comum no coração da atual situação em todas essas economias [do sul da Europa] é sua persistente falta de competitividade e, portanto, sua incapacidade de manter altos níveis de prosperidade."

Qual a relação disso com o mundo do trabalho? Tiro a resposta do próprio relatório: "Acima de tudo, baixos níveis de produtividade e competitividade não garantem os salários que os trabalhadores no sul da Europa recebem e têm levado a desequilíbrios insustentáveis, seguidos de desemprego alto e crescente".