Trabalhadores descartáveis

"Quando você cresce na França, nenhum dos heróis sobre quem você aprende é um empreendedor. Quando alguém fica rico na França as pessoas imediatamente perguntam: 'O que ele fez para ganhar esse dinheiro? Ele deve ser uma pessoa do mal.'"

A frase é de Brigitte Granville, uma professora da Queen Mary University, de Londres, que foi criada na França. Foi tirada de uma matéria do New York Times sobre a mudança na mentalidade dos franceses em relação aos negócios, na medida em que tentam aproveitar a saída da Grã-Bretanha da União Europeia. Faz pensar que poderíamos trocar França por Brasil e tal frase continuaria perfeitamente válida. Não há heróis empresários por aqui. Mas faz pensar também que o capitalismo não se ajuda quando tem de melhorar a própria reputação. A sede da Europa por trabalho barato alimenta hoje um boom na exploração de trabalhadores descartáveis. Segundo o New York Times, agências de emprego do continente recrutam no momento milhares de migrantes para FoxConn e outras firmas com condições de trabalho e salários que poucos cidadãos europeus aceitariam.

Sem dar bola para a reação contra a globalização por gente que foi deixada para trás, corporações internacionais continuam movendo suas peças no tabuleiro global em busca de trabalho barato e de oportunidades para fazer mais com menos gente.