"5 passos para 'entrar na zona' e ser mais produtivo"

O blog do Zapier, um serviço que conecta aplicativos da web, publicou tempos atrás um post valioso sobre "flow" com o mote "5 passos para entrar 'na zona' e ser mais produtivo". Para quem não está familiarizado com esses termos, "flow" são aqueles momentos em que você está tão focado em uma tarefa que o mundo à sua volta desaparece e nada mais parece importar.

Estar "na zona", por sua vez, não é o que você está pensando. É o modo como os atletas se referem ao "estado de flow".

Descrito pelo psicólogo Mihaly Csíkszentmihályi nos anos 70, isto que podemos traduzir como "fluxo" é um estado mental em que estamos "tão imersos num sentimento de foco energizado, pleno envolvimento e prazer no processo da atividade que perdemos o senso de espaço e tempo". Segundo o pai do conceito, são necessárias três condições para mergulhar no flow:

  1. Você deve ter metas e avanços claros
  2. Sua tarefa deve oferecer feedback claro e imediato
  3. Você deve estar em equilíbrio entre os desafios percebidos para a tarefa em questão e suas próprias habilidades.

"Em outras palavras, você deve saber o que está fazendo, ser capaz de ver se está ou não fazendo direito e se forçar a sair da sua zona de conforto", resume Jory MacKay, o autor do post do Zapier. Csíkszentmihályi inicialmente desenvolveu a ideia de flow falando com profissionais de uma grande variedade de campos - de artistas e atletas a cientistas e acadêmicos.

Csíkszentmihályi descreveu o estado de fluxo tendo como base um esquiador profissional. "Imagine que você está esquiando por uma encosta, e toda a sua atenção está focada nos movimentos de seu corpo, na posição dos esquis, no ar que assobia passando pelo seu rosto e nas árvores cobertas de neve. Não há espaço em sua consciência para conflitos ou contradições. Você sabe que um pensamento ou uma emoção que o distraia pode fazer com que você enterre a cara na neve", disse ele.

"Você pode não ser um esquiador profissional, mas a ideia de estar tão perfeitamente focado e no controle de uma tarefa que você realiza sem esforço é atraente para todos nós", escreve MacKay. E, embora metas claras, feedback e desafio sejam os blocos de construção do fluxo, há mais a levar em conta do que só esses fatores: "Para nos ajudar a encontrar mais fluxo em nossas vidas precisamos reunir as cinco peças do quebra-cabeças: autocontrole, ambiente, habilidades, tarefa e recompensa".

  • Autocontrole: foco na força de vontade para desencadear o estado de fluxo.

"No estado de fluxo exercemos controle sobre o conteúdo de nossa consciência ao invés de nos permitir sermos passivamente determinados por forças externas", disse Csíkszentmihályi. "Para nos ajudar a entrar em estado de fluxo com mais frequência, precisamos ser capazes de dominar esse nível de controle de nossa consciência", completa MacKay. O professor de psicologia Nathan DeWall, que usou a ciência do autocontrole para passar de acadêmico sedentário a corredor de maratonas de até 100 milhas, explica que todos nós podemos desenvolver nossa força de vontade concentrando-se em três etapas:

  1. Encontre seus padrões. Seus padrões são os pontos de referência que você vai usar para determinar se qualquer ação que vier a executar é desejável para entrar em estado de fluxo - se, por exemplo, você vai checar seu e-mail de novo ou manter-se firme no objetivo de cumprir sua meta de escrever 1000 palavras por dia.
  2. Configure meios para monitoramento. O fluxo depende de feedback imediato e também o autocontrole. Seja qual for a tarefa, encontre modos de monitorar constantemente seu desempenho e ajustá-lo à medida que você prossegue.
  3. Fique atento à sua energia. Nossa força mental aumenta e diminui ao longo do dia (por isso é importante definir o seu próprio horário de trabalho em torno de sua energia). Compreender quando você tem mais energia ajudará a ficar no controle e ter uma melhor chance de entrar em um estado de fluxo com mais frequência.
  • Ambiente: encontre um espaço novo e excitante.

"A rotina é pedra angular da produtividade. Mas você raramente entrará em estado de fluxo apenas fazendo o mesmo que fez ontem", escreve MacKay. "Em vez disso, encontre um ambiente que o desafie diariamente e o empurre (um pouco) para fora da sua zona de conforto." Steven Kotler, autor de um belíssimo livro sobre flow chamado The Rise of the Superman, diz que Steve Jobs, cofundador da Apple, criou artificialmente as condições ambientais que aumentaram maciçamente a quantidade de novidade, imprevisibilidade e complexidade, "porque as pessoas em todos os departamentos e disciplinas começaram a se encontrar umas com as outras e ter conversas". Como resultado, o fluxo, a inovação e a criatividade aumentaram.

  • Habilidades: pratique deliberadamente para trazer mais fluxo

Como o flow depende de encontrar o equilíbrio perfeito entre as nossas habilidades e o desafio em questão, "não é nenhuma surpresa que precisamos ter um certo nível de maestria antes de atingir o estado de fluxo", nota MacKay. Uma maneira de se conseguir isso é se envolver no que o professor de psicologia Anders Ericsson chama de "prática deliberada" - um exercício no qual cada sessão tem um objetivo específico, que pode ser medido, analisado e otimizado para melhorar o desempenho geral.

  • Tarefa: conecte-se a um propósito claro

"Você precisa sentir uma conexão autêntica e real com seu trabalho para se dedicar a cumpri-lo vivendo o momento", escreve MacKay. "Uma forma de garantir que sua tarefa esteja vinculada ao seu propósito é criar uma declaração de missão pessoal."

Para fazer isso, o escritor William Arruda sugere começar com algumas perguntas (supostamente) simples:

- Pelo que sou apaixonado?

- Quais são meus valores?

- O que me torna excelente?

  • Recompensa: não procure motivação extrínseca

"Experimente a atividade como intrinsecamente gratificante", propôs Mihaly Csíkszentmihályi. "Assim como o fluxo vem mais frequentemente quando nós seguimos nossas paixões, também precisamos fazer um trabalho que estamos intrinsecamente motivados para realizar", completa MacKay. "Dinheiro. Prêmios. Elogios. Estes podem ser subprodutos do trabalho em fluxo que você faz, mas eles não podem ser a motivação principal por trás do que você está fazendo."

"Ao contrário do que nós geralmente acreditamos, (...) os melhores momentos das nossas vidas não são os tempos passivos, receptivos e relaxantes", escreveu Csíkszentmihályi em "Flow". "Os melhores momentos ocorrem quando o corpo ou a mente de uma pessoa está esticada até seus limites em um esforço voluntário para conseguir algo difícil e valioso."

"A ironia da ausência de esforço [notada] no fluxo", conclui MacKay, "é que ela vem quando estamos trabalhando mais duro."