Modelos de negócio que resolvem problemas sociais

Nesta terça-feira, a Din4mo, uma startup paulistana que tem como objetivo apoiar empreendedores para desenvolvimento de modelos de negócio que resolvem problemas sociais, apresentou a seus stakeholders um balanço de sua jornada de três anos e meio pela redução da desigualdade. Uma jornada muito conectada com uma agenda global criada em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A Din4mo entende que negócios podem reduzir a desigualdade sob certas condições:

1) quando trabalham para reduzir a vulnerabilidade das comunidades;

2) quando agem para aumentar ativos produtivos nas comunidades;

3) quando servem para reduzir o enorme custo de transação para famílias de baixa renda.

A Din4mo entende também que os negócios - em especial os negócios de impacto, ou seja, aqueles que são criados para resolver um problema social - podem criar novos mercados. Para isso, precisam inovar, fundamentalmente, em modelos de negócio. "É uma outra lógica de fazer negócios, uma outra de lógica de gerar fontes de receita, uma outra lógica de criação de valor, uma outra lógica de impacto", afirma Marcel Fukayama, um dos co-fundadores da empresa. Sendo bem-sucedidos, esses negócios acabam tendo outro impacto importante, no fortalecimento do ecossistema - foco da atenção da Din4mo.

São três os agentes fundamentais dessa cadeia. O primeiro é o conjunto de financiadores, que enfrentam problemas de governança e alto risco; buscam impacto, mas também buscam retorno sob seus investimentos. O segundo são as startups ou os negócios de impacto. Eles têm desafios de gestão, de governança, de acesso a capital e de entrada no mercado. Por fim, há as famílias a quem esses negócios estão servindo. Grande parte delas está excluída de um sistema que poderia lhes ofertar serviços de alta qualidade, crédito e financiamento.

Olhando para todos esses lados, a Din4mo procura trabalhar com vários aspectos de gestão, governança, acesso a capital, acesso a crédito e ida ao mercado. Para isso, concentra-se em três objetivos principais. O primeiro deles é o de fortalecer esses empreendedores, respondendo a algumas perguntas-chave: onde estão esses empreendedores de alto-impacto?; quem são eles?; do que eles precisam?. Necessitam, por exemplo, de governança (um tema subestimado no Brasil como um todo e em especial nas startups). "As startups, por algum motivo, têm a percepção de que governança é para empresas grandes, mas o trabalho de governança é fundamental em especial para aquelas startups que estão buscando investimento e precisam mitigar o risco para esses investidores", diz Marcel. Então, um dos principais pilares do trabalho da Din4mo é a governança: dar mais transparência às empresas, melhorar a prestação de contas e preservar a missão do negócio.

A Din4mo está muito focada num estágio muito particular do desenvolvimento de um negócio, que chama de "eficiência". É aquele momento em que a empresa está deixando para trás a fase de validação de seu negócio e se preparando para escalar.

O segundo objetivo da Din4mo, estratégico para a empresa, é o desenvolvimento de estruturas inovadoras e distribuídas de mobilização de capital para empreendedores. Nos últimos 18 meses, 216 investidores mobilizaram, de uma maneira distribuída, 2 milhões de reais para algumas rodadas de investimento. A Din4mo Ventures tem alguns papeis fundamentais nesse processos. O primeiro deles é a construção do "deck de investimento" - definir o que o empreendedor vai contar para o mercado na tentativa de atrair investidores. O segundo é a liderança do investimento. Pense no Broota, por exemplo. Nessa plataforma online de investimento coletivo, existe a figura do Sindicato, que é como um clube de investimento. Nas rodadas de que participa, a Din4mo lidera a captação, investindo primeiro capital próprio - em geral, pelo menos 20% do capital alvo.

Neste contexto, a manhã de terça-feira serviu também para celebrar o crowdfunding equity de mais velocidade, maior demanda de investidores e maior volume de captação já registrado no Brasil, feito pelo Programa Vivenda, na plataforma Broota, em operação liderada pela Din4mo.

O terceiro objetivo da empresa é inspirar o fortalecimento desse ecossistema. Recentemente, a Dinamo publicou, por exemplo, um white paper em aliança com a Força Tarefa de Finanças Sociais sobre equity crowdfunding. Há também pesquisas, como a que foi feita há um ano com a Artemísia sobre quem é o empreendedor de impacto no Brasil. A ideia é gerar inteligência e conhecimento para o ecossistema.